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"Bololô: gaiola vazia" é uma narrativa da ausência, com personagens ensimesmadas que aos poucos se impõem por sua autenticidade ficcional. Impressiona, aqui, um lago onde habita uma criatura composta de restos de coisas vivas. Estranheza seria o termo identificador de todo o romance, pois as personagens são tão inquietantes quanto a criatura do lago. Conhecemos a mãe calada e chorosa, o pai dado à bebida e violento, com filhos tão raros quanto os pais. Trata-se de uma narrativa escorregadia, difícil de situar e, por vezes, nonsense. A habilidade na confecção da trama confere uma persuasiva intimidade a esse universo invulgar. O texto revela-se inventivo, mordaz e bem-humorado. Ao mesmo tempo, constato um grande acerto autoral na criação de um narrador intrusivo, dotado de personalidade única, como se também fosse uma personagem. Para mim e para seus futuros leitores, é um belíssimo achado. (Luiz Antonio de Assis Brasil/Romancista, ensaísta e cronista)