Digitaliza - Conversão e distribuição de conteúdos digitais

Este livro é produto de uma pesquisa doutoral e apresenta um
estudo comparado de quatro romances latino-americanos: Cidade
de Deus (1997), do escritor brasileiro Paulo Lins (1958), Trilogía
sucia de La Habana (1998), do cubano Pedro Juan Gutiérrez (1950),
Bicentenaire (2004), do haitiano Lyonel Trouillot (1956), e Yo maté a
Simón Bolívar (2010), do venezuelano Vicente Ulive-Schnell (1976).
Escritos e publicados entre a última década do século XX e
a primeira do XXI, esses textos constituem expressões literárias
e culturais da crise das nações latino-americanas em tempos de
globalização e de comemoração dos seus bicentenários nacionais.
Os narradores assumem uma perspectiva crítica da vida nacional
em um momento em que perdem sentido os elementos da retórica
fundacional da nação, a saber: a independência política, a ordem
republicano-constitucional, a unidade de língua e território, a
grandeza da natureza e a realidade da miscigenação em países
integrados perifericamente ao capital mundial, ou isolados (também
perifericamente) dele. Nesse contexto, para além da retórica, um
reduzido grupo dominante se beneficia da economia dependente de exportação de matérias primas e importação de bens e serviços
enquanto grandes segmentos populacionais são excluídos na
pobreza e analfabetismo – o caso cubano sendo diferente devido ao
seu desenvolvimento social específico e à lei do embargo financeiro – comercial estadunidense. Com efeito, a experiência histórica comum do colonialismo latifundiário e da escravatura assemelha as culturas e economias terceiro-mundistas do Brasil, Cuba, Haiti e Venezuela na América do Sul e no Caribe, ao mesmo tempo que as mudanças e rupturas políticas e sociais as diferenciam, passando do modelo neoliberal ao socialista, inclusive aquele de caráter misto, como o da Venezuela.