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E-books

Intelectuais e cultura em Mato Grosso no século XX

Por
Carlos Alexandre da Silva Souza, Iza Debohra Godoi Sepúlveda, Thaís Leão Vieira
Editora
Edições Verona
Formatos
Sinopse

Intelectuais e Cultura em Mato Grosso no século XX investiga as disputas simbólicas e culturais que atravessaram a experiência da modernidade em Mato Grosso entre 1920 e 1950. A obra compreende a modernidade como um processo contraditório, situado e plural: um campo de tensões entre tradição e inovação, projetos regionais e expectativas nacionais, temporalidades locais e imaginários de progresso. Ao colocar em diálogo escritores, memorialistas e figuras públicas como Rubens de Mendonça, Zulmira Canavarros, Lobivar de Mattos, Gervásio Leite, Archimedes Lima, José de Mesquita e Dom Aquino Corrêa, o volume cartografa arenas decisivas da vida cultural, literatura, imprensa, teatro, instituições letradas e políticas culturais, evidenciando como se definiu, disputou e legitimou aquilo que poderia ser reconhecido como “moderno” no estado. Inspirado na hipótese das modernidades múltiplas, o livro mostra que, no campo cultural mato-grossense, a modernidade foi muitas vezes menos um fato consolidado do que uma promessa projetada e politicamente apropriada.
Com atenção aos trânsitos intelectuais que conectavam Mato Grosso a centros como São Paulo e Rio de Janeiro, e ao papel de instituições como o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e o Centro Mato-grossense de Letras, a obra analisa ainda a modernização autoritária do Estado Novo e sua dimensão simbólica, especialmente no contexto da “Marcha para o Oeste”. A partir de jornais, revistas e outros meios de comunicação, o estudo revela como a retórica do progresso e da civilização serviu tanto à integração regional quanto ao reforço de hierarquias e exclusões.
O livro se organiza em quatro capítulos: o primeiro examina a modernização autoritária do Estado Novo e a construção simbólica do progresso em Mato Grosso, com ênfase na propaganda, na imprensa e na mediação intelectual; o segundo discute o papel de revistas literárias como A Violeta e Pindorama na circulação de ideias e na formação de um modernismo local atravessado por tensões; o terceiro interpreta a obra de Rubens de Mendonça como síntese ambivalente entre tradição e impulso de ruptura; e, por fim, o quarto analisa a modernidade encenada em Cuiabá pelo Cine-Teatro e pela dramaturgia de Zulmira Canavarros, na qual o moderno é apropriado “às avessas” por uma gramática própria.